Clipper – Linguagens De Programação Que Fazem A História

Tempo de leitura: 3 min

Escrito por Celso Kitamura
em 2 de maio de 2019

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Clipper – Linguagens De Programação Que Fazem A História

Já se perguntou como os computadores evoluíram daquelas máquinas enormes, que ocupavam uma sala inteira e liam cartões perfurados, aos computadores de tubo brancos, que tinham uma interface simplista toda em preto e branco, e, enfim, chegaram à ampla gama de cores e funções que temos hoje? A linguagem Clipper faz parte dessa história.

 

Conforme surgiram novas capacidades computacionais de hardware, as máquinas antigas passaram a ter mais memória processual em seu sistema. Isso possibilitou que a leitura de código binário fosse feita de maneira interna, e não externa.

 

Dessa forma, ficou possível expressar comandos por forma de códigos mais complexos do que apenas a combinação dos números 0 e 1, ou seus respectivos cartões perfurados. Assim, surgiram as linguagens de programação.

 

xBase e Clipper – origem dos computadores que conhecemos hoje

 

Se você já viu um computador antigo, datado de 1981 até 1995, mais ou menos, provavelmente já se deparou com a interface do DOS, sistema operacional em disco.

 

O DOS era um sistema de operações básicas, com uma interface simples, que executava tarefas com base de uma input de comandos. Digitar um comando acionava uma função primária, e era dessa forma que os computadores funcionavam.

 

Dessa forma, o DOS só funcionava executando funções compiladas dentro de seu próprio sistema a partir de uma database. No caso, a xBase, criada em 1984, era uma dessas bibliotecas, e Clipper era seu compilador.

 

Em suma, o Clipper era responsável por coletar dados de sua respectiva database e executar funções. Ao contrário de outros programas da época, ele não trabalhava diretamente no DOS, mas sim como um aplicativo independente. Isso possibilitava mais agilidade nos processos e o desenvolvimento de uma interface própria.

 

Dessa forma, o Clipper e o xBase eram muito utilizados para compilar, organizar e categorizar dados como controle de estoque, de pessoal, calendários e tabelas.

 

Além disso, graças à sua agilidade e capacidade de funcionar como um aplicativo independente, muitos programas para bancos foram desenvolvidos utilizando essa combinação.

 

O Clipper na atualidade

 

Apesar de sua eficiência, o Clipper era uma linguagem desenvolvida para o uso de uma forma primária de software. Dessa forma, seu estilo de sintaxe e sua interface não se adaptaram muito bem ao desenvolvimento de novas tecnologias.

 

Quando o Windows substituiu o MS-DOS como principal sistema operacional da Microsoft, sua interface se adaptou melhor a linguagens e compiladores como Delphi, Visual Basic e Powerbuilder, e, embora parte do código MS-DOS, e, por conseguinte, do Clipper, tenham persistido até cerca de 2015 em uso em alguns sistemas operacionais, comercialmente falando, suas funções eram pouco significativas.

 

Atualmente, com novos desenvolvedores como AlaskaSoftware, e projetos como xHarbour trabalhando com uma nova versão da xBase, a linguagem Clipper vem ganhando novo uso como um compilador que aceita bibliotecas amplas e aceita mais extensões.

 

Embora o uso de databases locais tenha caído em desuso com a capacidade de conexão que a tecnologia proporcionou, o novo Clipper trabalha para explorar os pontos positivos de sua estrutura, e, talvez, seu uso volte a ser uma vantagem ao fim desse projeto.

 

Por ora, podemos dizer que, sem o Clipper e suas databases em disco, não teríamos desenvolvido as tecnologias que temos hoje.

 

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4 Comentários

  • Anderson disse:

    Ainda hoje o Clipper funciona em muitos lugares. É uma linguagem voltada para banco de dados, ramo comercial, vários sistemas foram desenvolvidos para lojas, atacadistas, empresas de factoring, etc. Hoje o xBase pode ser compilado com o xHarbour ou Harbour que ampliou o poder dessa linguagem interagindo com o Windows e internet.

    1. OptimusPrime disse:

      Sim, apesar da idade o Clipper ainda é usado em vários lugares. Trabalhei durante 5 anos num banco e lá havia um projeto desde que entrei lá: migrar todos os programas em Clipper para .NET. Saí do banco e o projeto continuava sem previsão de término…
      Por isso chamei a série de “Linguagens de Programação que Fazem a História” e não de “Linguagens de Programação que Fizeram a História”, porque muitas delas ainda estão aí em produção, como C++ e Cobol.

  • João Lima disse:

    Fala Celso, tudo bem? Escuto que os programas que usam o clipper precisam de ajustes constantes para serem viáveis nas tecnologias que temos atualmente, é realmente muito complicado reescrever esses programas em linguagens de programação atuais? Como funciona esse processos ?

    1. OptimusPrime disse:

      Oi João!
      Acredito que o principal obstáculo é o tempo que se investe nesta migração.
      Além do tamanho do sistema, existe também a ausência de documentação. Então alguém que conhece Clipper teria que analisar todo o código fonte para ver o que o sistema faz. E depois um analista da nova tecnologia teria que redesenhar tudo usando essa nova arquitetura.
      Não é simplesmente reescrever em outra linguagem. Isso pode até funcionar mas fica uma porcaria.
      Eu mesmo trabalhei num projeto de um site em ASP Clássico que foi reescrito em .NET. Ninguém conhecia C# direito (afinal ele tinha acabado de ser lançado) então basicamente reescrevemos todo o sistema VBScript em C#. Em produção o sistema ficou uma carroça, pois não utilizava nada de novo que o .NET tinha e continuava com todas as limitações do ASP clássico.
      Obrigado pela visita!

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