O que é engenharia de software?

Tempo de leitura: 4 min

Escrito por Celso Kitamura
em 23 de fevereiro de 2017

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O que é engenharia de software?

Comparado com a Engenharia Civil, a Engenharia de Software é uma criança. E por este motivo ainda há muitas mudanças e polêmicas acerca desta ciência.

Principalmente pelo fato do software ser algo intangível (não físico), muitas abordagens que fazem sentido em outras Engenharias não se aplicam ao software.

Por exemplo, na Engenharia Civil uma das primeiras coisas a ser construída é a fundação. Sobre ela podemos construir o restante do prédio. Estamos lidando com coisas físicas.

Na Engenharia de Software esta abordagem foi utilizada por muitos anos, até que as Metodologias Ágeis vieram para tentar quebrar este paradigma: Em uma analogia, podemos construir a cobertura do prédio ANTES da fundação.

 

Antes, o que é Engenharia?

Segundo o dicionário Michaelis, engenharia é

  1. Arte de aplicar os conhecimentos científicos à invenção, aperfeiçoamento ou utilização da técnica industrial em todas as suas determinações.
  2. Ciência ou arte de construções civis, militares e navais.

E algumas definições de Engenharia:

 

Engenharia, num sentido amplo, é a aplicação da ciência de maneira econômica para as necessidades da humanidade.

Vanevar Bush (1939)

 

É responsabilidade do engenheiro estar atento às necessidades sociais e decidir como as leis da ciência podem ser melhor adaptadas através da Engenharia a fim de cumprir essas necessidades.

John C. Calhoun, Jr. (1963)

 

Engenharia é a profissão na qual o conhecimento das ciências matemáticas e naturais, obtido através do estudo, experiência e prática, é aplicado com julgamento no desenvolvimento de novos meios de utilizar, economicamente, os materiais e forças da Natureza para o benefício da humanidade.

Comitê de Certificação de Engenharia e Tecnologia dos Estados Unidos (1982)

 

Um pouco de história

Da Wikipedia:

A Engenharia de Software (ES) surgiu em meados dos anos 1970 numa tentativa de contornar a crise do software e dar um tratamento de engenharia (mais sistemático e controlado) ao desenvolvimento de sistemas de software complexos. Um sistema de software complexo se caracteriza por um conjunto de componentes abstratos de software (estruturas de dados e algoritmos) encapsulados na forma de procedimentos, funções, módulos, objetos ou agentes interconectados entre si, compondo a arquitetura do software, que deverão ser executados em sistemas computacionais.

As aplicações militares sempre foram um grande catalisador de mudanças tecnológicas. O processo de desenvolvimento de software foi uma grande contribuição desta área. O controle no processo é fundamental para este tipo de aplicação. Imagine um software dentro de um míssil intercontinental. Será que ele foi testado direito? O que acontece se ele cai numa condição errada do programa depois do lançamento?

Mas nem precisamos ser tão extremos. Podemos pegar como exemplos aplicações do nosso dia a dia.

Você usa metrô? Ele utiliza um software controlador de tráfego. Através de sensores colocados ao longo da linha o software sabe onde cada trem está e controla sua velocidade para evitar colisões. Qual é o número máximo de trens que podemos utilizar nos horários de pico? Qual é o menor intervalo entre trens que podemos ter sem que aconteça um acidente? Este software de controle de tráfego deve ser capaz de responder.

 

E a Engenharia de Software?

Segundo o IEEE (1992):

Engenharia de software é a aplicação de uma abordagem sistemática, disciplinada e quantificável, para o desenvolvimento, operação e manutenção do software; isto é, a aplicação de engenharia ao software.

 

A Engenharia de Software é uma ciência que procura sistematizar o desenvolvimento/manutenção de software.

A principal motivação desta disciplina é a produção de software profissional. Nela temos várias áreas de estudo, onde podemos destacar:

  • Gestão de configuração: Para as aplicações comerciais, apenas o controle de versão não resolve. Além de controlar as mudanças no código fonte, precisamos saber também: em qual versão da IDE foi desenvolvida, quais versões de frameworks foram utilizadas, quais documentos foram utilizados no desenvolvimento, qual versão do sistema operacional estavam nas máquinas de desenvolvimento e servidores, etc. Todo esse controle não é simples e a maioria das empresas não faz.
  • Testes: Testes de caixa branca, testes de caixa preta, como montar um cenário de testes, como automatizar testes, Desenvolvimento Orientado a Testes (TDD – Test Driven Development). Testar software é muito mais que entrar em todas as telas do aplicativo e clicar em todos os botões. Existem técnicas e processos que nos guiam nesta fase extremamente desvalorizada mas crucial para a qualidade de nossos projetos.
  • Gerência de requisitos: Quais técnicas podemos utilizar para entrevistar o usuário/cliente a fim de extrair com o máximo de detalhes e a máxima clareza o que ele realmente precisa? Como documentar estes requisitos para envio ao desenvolvimento? A fase de levantamento de requisitos é um dos principais pontos de falha nos projetos de software desde sempre.
  • Medição e melhoria da produtividade: As métricas são um dos principais pontos da Engenharia de Software, pois através das medições conseguimos saber se estamos sendo produtivos, estimar quanto tempo e quanto custa um desenvolvimento, etc. Como disse Joseph Juran: “Se você não mede, você não gerencia.”.

Existem muitos outros assuntos dentro da Engenharia de Software que abordaremos em artigos futuros. Análise Estruturada, Orientação a Objetos, RUP (Rational Unified Process), CMMi (Capability Maturity Model – Integration), Scrum, XP (eXtreme Programming)… Quer saber mais sobre algum assunto? Me diga qual assunto despertou seu interesse. Entre em contato!

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